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Latest from Desconversados.

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Diogo Cesar

Mar 14

Hello! I am hosting a new event!

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Diogo Cesar

Mar 14

Hey!

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Diogo Cesar

Mar 10

etc

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Diogo Cesar

Feb 16

Hey guys, check out my new article!

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Diogo Cesar

Feb 9

"Beneath the ruins, the island..."

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Diogo Cesar

Feb 9

Sete Cidades - São Miguel, Açores

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Diogo Cesar

Feb 9

Ribeira Quente - São Miguel, Açores

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Diogo Cesar

Feb 9

Furnas - São Miguel, Açores

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Diogo Cesar

Feb 6

Fábrica de Chá da Gorreana - São Miguel, Açores

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Diogo Cesar

Feb 6

Praia da Ribeira Grande - São Miguel, Açores

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Diogo Cesar

Feb 6

Miradoro de São Roque - Ponta Delgada

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Diogo Cesar

Jan 30

"Bom Dia, Meia Noite" para a criança que se esqueceu de sonhar...

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Diogo Cesar

Jan 26

"A Última Linha"

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Diogo Cesar

Jan 21

Posso correr a vida inteira atrás de ti — e ainda assim morrer a um passo. Porque tu estás sempre um pouco mais à frente do que aquilo que posso alcançar. Já tentei parar. Já quis esquecer-te. Mas até o esquecimento me leva de volta ao teu nome. E se algum dia te alcançasse, perderias o brilho — como tudo o que é tocado pelo tempo. Talvez sejas só o reflexo do que me falta, a forma que o infinito tomou para me manter em movimento.

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Diogo Cesar

Jan 21

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Diogo Cesar

Jan 21

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Diogo Cesar

Jan 20

sei que já não sabes quem sou e isso desfaz-me por dentro, talvez demais do que a medida exata para ser incompreendido anónimo em reunião, lembras-te quando me fizeste relembrar o dia da nossa queda, anos depois, meses, horas, segundos, os anjos que se desfizeram das asas para morar como deuses nos confins inalcançáveis do Vale, os anjos que tropeçaram nas ramas da árvore da vida e que por lá habitaram, os anjos que são abismo e abrigo em simultâneo e agora nem sabes quem sou, não sabes o meu sexo, desconheces o meu intelecto, tens receio do meu insucesso, fomos outrora os protetores divinos do signo do amor, da palavra nunca encontrada em corações despedaçados como os nossos, agora, como o meu, pelo menos, que faz parte do que sou e tu nem me reconheces mais, só de- pois de descermos das nuvens nos tocámos, lembras-te do dia em que enlaçámos as mãos pela primeira vez? não era pele, era músculo, osso e sangue, era alma, um toque entre almas que, acredita, os anjos não costumam sentir, tínhamos descoberto a cura para a santidade, tu que eras tão pura e eu condenado, nesse dia descobri o pecado e como as formas das nuvens se assimilavam a nós, tenho pena em não saberes quem sou, não tenho pena em nunca mais voltar a quem era, como tu nunca voltarás e como ninguém em toda a eternidade voltou por clemência, vergonha ou frio, voltariam os anjos a ter um sexo antes que se troquem as fechaduras do inferno, Teseu não teria inveja do meu navio, isso é certo, cada peça é um universo e cada arma um retrocesso, não há carma ou progresso, peço-te que descubras quem eu sou antes de deixar de o ser e mudar outra vez e novamente e de forma repetida mutar-me em mim mesmo. nós que fomos anjos somos agora mapas por desvendar, traça a tua rota até ao meu X, as minhas aventuras angelicais findaram quando me caíram as asas, não quero palmas, nem bis, nem vénias, nem quero assim tanto que me encontres sem pedir nada em troca, lembra-te, estou há muito desfeito por desconheceres quem sou, tanto como o quanto me desfiz quando, por ti, do céu caí. - _Amantes de Platão_ de Bruno Fidalgo de Sousa

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Diogo Cesar

Jan 12

Depois do Amor - “Terra Natal” Bebo um leite com chocolate no parapeito da janela do meu quarto — como fazia quando éramos crianças, mas desta vez dou por mim a queimar a ponta dos dedos a acender um cigarro. Como as coisas mudaram. Tanta coisa de que abdicámos, tantas partes de nós que matámos para um dia pisarmos sitios que outrora nem imaginámos. Aqui, na minha terra natal — onde hoje me encontro, mas onde nunca pertenci — cada rua me conhece pelo nome, mas nenhuma chama por mim. Cada esquina é dura e afiada, como se tivesse sido talhada para me impedir de encostar. Como se a minha terra trouxesse no ventre uma ordem secreta: a de me empurrar para longe, a de me parir de novo para um lugar onde ainda não nasci. E parto, então, cheio de esperancas, mas sem promessas, levando apenas o que perdi por aqui. Que talvez pertença, afinal, não a esta terra, mas às cicatrizes que ela deixou. E quando lá chegar (se um dia lá chegar) — hei de reconhecer o lugar pelo vazio que me couber.

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Pedro Tamudjim

Jan 8

Cansei de corações quebrados, mentes iludidas e saudades obscuras. Hoje, agora, eu quero "me" viver. Que o mundo se desdobre a mim. Parti acompanhado de mim mesmo, e quem encontrar pela estrada, cumprimento e sigo.

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Diogo Cesar

Jan 3

Depois do Amor - "Indizível" Sei que sentes que não sei quem sou, e isso, confesso, desfaz-me por dentro — talvez mais do que eu ousaria admitir. Julgaste-me perdido, mas a verdade é que sempre fui o mais achado.  Achado demais, talvez —  até ao momento em que me hei de perder  outra vez... É que eu amo,  e amo sem medida,  amo mais do que se explica,  amo tanto que nem se acredita,  amo para além dos olhares cruzados,  dos desencontros enamorados, ou dos beijos que roubámos  a meio caminho da minha morada nas nuvens  — onde me vi, demasiadas vezes,  a morder os próprios dentes,  quando a língua se enrolava na arrogância  de tentar cantar-te as cores do silêncio.  E tentei, juro que tentei, desenhar-te as nuvens onde pairo — mas falhei talvez por falta de sílaba minha, talvez por falta de presença tua, talvez os dois, talvez nenhum de nós tenha culpa. Talvez a culpa seja dos cabrões dos anjos,  que riam nos seus tronos nas nuvens ao ver-nos tropeçar um no outro. Os tristes anjos,  aqueles que rasgaram as próprias asas  para se deixar cair ao mundo quando te viram, por vontade de em ti pecar,  porque só aos que abdicam do seu trono  nas nuvens lhes é permitido amar. Mas anjos nunca foram bons amantes (nem tampouco cínicos). Não se faz deles abrigo sem correr o risco de cair  como eles naquele abismo. E, embora eu também voe  as minhas asas não me tornam anjo.  Mas os homens, sendo como são,  também nunca sonharam sair do chão.  E tal como os anjos  e tal como os homens,  agora também tu temes o que sou:   mentira demais para ser verdade,  verdade demais para ser mentira. Então tomas-me por complexo,  idolatras o meu intelecto.  desconheces o meu sexo. tens receio do meu controverso,   mas não sou menos real por isso —  sou apenas indizível. Portanto, perdoa-me  por não caber na gramática do mundo.  Mas, sinceramente, o mundo que se vá foder, pois ele sempre soube conjugar o verbo “ter”, mas nunca o verbo “ser”. Enquanto ele vive de certezas,  eu sou feito de interrogações. Enquanto ele te conquistava com vangloriadas definições, eu desfazia-me de todas elas. Mas tu, que procuravas terra firme,  encontraste em mim um vasto mar. E tu, que choravas tanto por um nome — e eu, meu amor,  já sem nenhum para te dar. Talvez por isso nunca tenhamos sido fluentes na língua um do outro... Então, a partir de hoje, não me peças rótulos,  nem me lances olhares de vaidade, não me tentes guardar nos teus bolsos,  no teu grupo de amigos,  ou na tua versão de amor que aprendeste  nos filmes de domingo à tarde. Porque, se hoje te afasto —  não é por falta de amor  nem acumulação de rancor,  mas porque aprendi que amar é como segurar água enquanto se luta contra a vontade de as mãos fechar. E assim sigo —  sem rima bonita, sem métrica fixa,  sem final feliz.  Mas com cada palavra que escrevo, vou descendo, verso a verso, à minha morada atual — situada agora um pouco mais abaixo das nuvens, onde, mesmo que tu nunca entres,  ao menos saberei que não fui erro de gramática, mas apenas uma das inúmeras formas de dizer  — o indizível.